Claudilei Simões de Sousa

Mara de Paula Giacomeli

Biodiversidade: reflita, reutilize e reorganize-se

Cientistas têm feito constantes apelos para que os países criem novas áreas marinhas protegidas, de modo que cada país que tenha costas para o mar tenha até 2020 pelo menos 10{0745c43c0e3353fa97069a60769ee4ddd8009579514cad9a011db48d81360048} de sua zona costeira ou mar territorial protegidos, como forma de proteção à biodiversidade e consequentemente como auxílio à redução do efeito dos gases estufa sobre o Planeta Terra, pois muitos ecossistemas são vulneráveis à mudanças climáticas.

O Brasil tem 52 parques nacionais espalhados entre continente e costa marinha que abrangem 2,61{0745c43c0e3353fa97069a60769ee4ddd8009579514cad9a011db48d81360048} do território nacional. É um número pequeno diante de tanta biodiversidade e tanta extensão territorial. Aumentar o número é um sonho, porque desses 52 parques, há um abandono enorme e falta de profissionais para fiscalizar e guardar essas riquezas naturais.

O estabelecimento das Metas de Aichi, resultado da Reunião Anual da Conferência das Partes – países (COP 10) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), organizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) realizada em Nagoya, na província de Aichi, no Japão, em 2010, traz uma reflexão interessante: pelas Metas, o mundo tem que reduzir pela metade a perda dos habitats naturais, diminuir a poluição e a sobrepesca e desacelerar a extinção de animais até 2020. Até 2015, por uma das 20 Metas de Aichi, que são agrupadas em cinco objetivos estratégicos, deveria haver uma redução das pressões sobre os recifes de coral, que é a meta de número 10.

Muitas das pressões a que a Meta 10 se refere estão tratadas em outros itens das Metas, que abordam a poluição e o uso insustentável dos organismos marinhos. Além disso, o aumento da concentração de CO2 na atmosfera é parcialmente compensado pelos oceanos, que ao absorver o gás tornam-se mais ácidos. A acidez aumentada é letal para os corais, que vêm sofrendo o chamado “branqueamento”, que é quando o coral morre e somente seu esqueleto fica no lugar. Não adiantaria ter uma meta específica de redução dos impactos das mudanças climáticas somente sobre os recifes de coral uma vez que toda a biodiversidade sairia ganhando com a mitigação das emissões, pois mudanças climáticas estão relacionadas também com uma série de outras metas.

Todos os rios quando deságuam na costa brasileira estão contaminados, 99{0745c43c0e3353fa97069a60769ee4ddd8009579514cad9a011db48d81360048} assoreados e já não são navegáveis. A água doce que flui mata o manguezal e desaparecem os peixes e ostras nas raízes do manguezal, e também os caranguejos na área alagada. Alguns problemas poderiam ser resolvidos com a boa legislação que há, porém em parte, corruptível e frouxa, e isso só aumenta o problema quando ocorrem acidentes como o de Mariana, há três meses e o que foi realizado para mitigar, muito pouco, aliás, em função de burocracia e brigas de poderes, aumentando o sofrimento da população em geral e do meio ambiente.

O poder público omisso em relação ao saneamento básico das cidades e coleta e tratamento de lixo, eficiência dos gastos públicos, vontade política e educação da população formam o conjunto do atraso para atingirmos as metas de Aichi. Mais um plano estratégico de ações onde ainda não são cumpridas as etapas, em grande parte por falta de ação do poder público, pois falta fiscalização para a pesca, falta transporte (embarcações insuficientes) para fiscalização, faltam recursos humanos; existe uma grande burocracia e existe uma grande especulação imobiliária no Nordeste do país.

Nós temos que tomar essa consciência e agir diariamente com pequenas atitudes e estratégias, na mudança no uso do solo, água, energia e outros recursos naturais que melhorem a situação e diminuam o impacto ambiental e social.
Reflita, reutilize e reorganize-se.

 

Silvia Regina Linberger dos Anjos, sócia gerente da Maqtinpel. Química, tecnóloga gráfica com especialização em gerenciamento ambiental, mestrada em tecnologia ambiental, membro da comissão de questões ambientais da NOS-27, colaboradora voluntária da comunidade EQA (equipe de qualidade ambiental) da Escola Theobaldo de Nigris.
www.maqtinpel.com.br

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