Por: Mara de Paula Giacomeli
As micro e pequenas empresas (MPEs) têm desempenhado um papel fundamental no desenvolvimento econômico do Brasil. Em 2025, esse setor registrou um crescimento expressivo, sendo responsável por quase 60% das vagas formais criadas no país nos primeiros meses do ano, segundo estudos recentes.
Entre os segmentos que vêm se destacando está a indústria de fabricação de bonés. O que antes era um simples item de proteção solar, consolidou-se na década de 1980 como acessório de moda e, hoje, tornou-se também uma poderosa ferramenta de marketing e identidade visual para marcas e empresas.
Atualmente, os bonés são amplamente utilizados em campanhas publicitárias, eventos corporativos e ações promocionais. O processo de fabricação envolve diversas etapas — desde o corte do tecido até os acabamentos finais — que exigem conhecimento técnico e mão de obra qualificada. As principais etapas incluem o corte, a costura industrial, aplicação da aba e presilha, além dos acabamentos personalizados.
O consumo mensal de bonés no Brasil acompanha o ritmo acelerado da produção, com estimativas indicando um faturamento de aproximadamente R$ 15 milhões por mês em segmentos específicos. Apesar do volume significativo, apenas cerca de 2% dessa produção é exportada, o que evidencia um mercado interno forte, mas com baixa presença no cenário internacional.
A variedade de bonés disponíveis no mercado brasileiro é ampla e diversificada. Há modelos voltados para o estilo streetwear, como os snapbacks e os trucker hats, além de opções mais tradicionais, como os bonés de seis gomos e as viseiras esportivas.
Os materiais mais utilizados variam de acordo com a finalidade do produto. O algodão é valorizado pelo conforto; o poliéster, por sua secagem rápida, é ideal para práticas esportivas; o nylon se destaca pela leveza e resistência à água; a lona oferece durabilidade para ambientes externos; e a malha, por sua ventilação, é bastante usada em modelos esportivos.
Em relação ao acabamento, destacam-se três técnicas principais: sublimação, bordado e serigrafia. A sublimação é recomendada para estampas coloridas e detalhadas em tecidos sintéticos. O bordado proporciona um aspecto sofisticado e maior durabilidade, ideal para logos e nomes. Já a serigrafia é mais indicada para grandes volumes e artes mais simples, com cores vibrantes e baixo custo de produção.
A produção de bonés no Brasil está concentrada em regiões como Sul, Sudeste e Nordeste.
Apucarana: capital nacional do boné
No Sul, o destaque vai para Apucarana (PR), reconhecida como a capital nacional do boné. A cidade movimenta cerca de R$ 300 milhões por ano com a atividade, concentrando centenas de fábricas e oferecendo milhares de empregos diretos e indiretos.
Entre as empresas sediadas em Apucarana está a Blue Ocean. Empresa que sustenta o negócio por mais de 3 décadas. Atualmente 9 grandes marcas licenciadas fazem parte de seu nosso portifólio de atuação, além do segmento Private Label.
Outra empresa relevante na cidade é a Super Cap, empresa que comercializa bonés básicos, lisos e de uso contínuo, prontos para serem personalizados, com qualidade e melhor custo-benefício para o cliente.
Nordeste fortalece polo têxtil de bonés
A região Nordeste também abriga um polo crescente de confecção de bonés, atendendo tanto a demanda local quanto distribuindo para outras partes do país. Entre os destaques estão a Matutos Bonés, localizada em Serra Negra do Norte (RN), com mais de 10 anos de atuação no mercado de bonés personalizados, e a SeuBoné, com sede em Natal (RN), que oferece variedade de modelos sob encomenda.
Outro polo relevante é o Seridó, no Rio Grande do Norte, onde aproximadamente 60 empresas estão envolvidas na produção de bonés. A região se sobressai pela fabricação artesanal e pelo impacto positivo na economia local, gerando renda para milhares de famílias. Iniciativas empreendedoras têm impulsionado o crescimento de pequenos negócios, que evoluíram para fábricas consolidadas.
Sudeste concentra produção em larga escala e distribuição
No Sudeste, a atividade é marcada por empresas que atuam tanto na produção artesanal quanto em larga escala, com destaque para São Paulo, que além de concentrar fábricas, funciona como centro de distribuição para diversas marcas nacionais.
Exemplo relevante no estado é a empresas Agrafisil, especializada em bonés personalizados com diferentes opções de acabamento, como bordado, serigrafia e apliques.
Formação técnica e sustentabilidade ganham espaço
A qualificação profissional também tem sido incentivada. Instituições como o SENAI e o SEBRAE oferecem cursos técnicos voltados para a confecção de bonés, abordando desde corte e costura até modelagem e técnicas de acabamento.
Paralelamente, a indústria começa a adotar práticas sustentáveis. Um exemplo é a Linus, empresa que fabrica bonés veganos e sustentáveis, utilizando matérias-primas como algodão reciclado e outros tecidos de baixo impacto ambiental. A marca foca na produção responsável, aliando estilo, conforto e consciência ambiental.
Com esse cenário, a indústria de bonés no Brasil se consolida não apenas como um segmento em expansão no setor das micro e pequenas empresas, mas também como um exemplo de inovação, geração de empregos e compromisso com a sustentabilidade.
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