Prezado leitor e prezada leitora, mais uma vez nos encontramos nas páginas do Jornal O Serigráfico, agora para mergulhar em mais uma história do Mundo Corporativo.
Mas, desta vez, não falaremos de heróis. Nesta saga, vamos abrir espaço para as sombras. Vamos dar voz a um personagem que, infelizmente, muitos conhecem de perto: o chefe tóxico.
Chegou a hora de conhecer Clodoaldo Crocodilo.
O Reino da Intimidação
Clodoaldo era gerente de uma das unidades operacionais de uma grande prestadora de serviços do Grupo Madagascar, que atuava em todo o território de Pantonópolis.
A base de Clodoaldo ficava em uma obra afastada da sede administrativa, na cidade de Poeirópolis, o que lhe dava liberdade para criar seu próprio reinado de medo e manipulação.
Longe dos olhos da liderança do Grupo Madagascar, Clodoaldo se sentia dono da obra, senhor absoluto de tudo o que ali acontecia. Era temido por muitos, respeitado por poucos e admirado apenas por aqueles que se beneficiavam de seu favoritismo seletivo.
Clodoaldo era obcecado por controle, microgerenciava tudo. Instalou câmeras por toda parte, mas não parou por aí: mandou instalar microfones escondidos, conectados por tecnologia remota, e passava boa parte do seu tempo ouvindo conversas privadas dos colaboradores. Do conforto de casa ou de onde estivesse, monitorava o escritório como um verdadeiro agente secreto da desconfiança.
Muitos se perguntavam como ele “adivinhava” tudo. A resposta era simples (e assustadora): Clodoaldo sabia de tudo porque espionava todos, o tempo todo.
Clodoaldo Crocodilo não era afeito à educação.
Ele não dava bom dia, não conversava com os colaboradores. Apenas alguns — os “eleitos”, como gostava de chamar. Aos demais, restava o silêncio, o desprezo e o isolamento. Quando não gostava de alguém, Clodoaldo começava um processo sutil e cruel de exclusão, até que a pessoa não suportasse mais. O trabalho de selecionar e recrutar talentos para as obras era ignorado.
Seu escritório era cheio de regras não ditas:
- Todos deveriam chegar antes dele.
- Ninguém podia sair antes dele.
- Suas ideias sempre prevaleciam.
- Quem ousasse dizer “não”, se tornava alvo.
Clodoaldo era o verdadeiro “vaselina”: enrolava os superiores com longas explicações vazias, ludibriava os clientes e acabava vencendo todos pelo cansaço — um mestre da verborragia improdutiva.
Certa vez, em um de seus dias nublados, Clodoaldo Crocodilo chegou ao escritório soltando fogo pelas ventas. Precisava descontar seu mau humor em alguém.
— Carmen, venha até minha sala. Carmem Codorna começou a tremer
dos pés à cabeça. Ela já vivia sob tensão nos últimos meses; a pressão e a perseguição de Clodoaldo eram intensas.
— Pois não, doutor Clodoaldo. O que deseja?
— Você vai assumir a frente norte da obra do Agrião — vociferou Clodoaldo com voz lacônica.
— Me desculpe, senhor Clodoaldo, mas estou com a Ala Leste e a Ala Centro-Oeste. Como posso assumir mais uma ala? Eu não tenho tempo nem para fazer minhas refeições — respondeu embargada a pobre Codorna.
— Você começa amanhã, já está decidido. Comer você come depois do expediente; nós precisamos de trabalho por aqui — retrucou o Crocodilo.
— Por que o senhor não nomeia o Avelino Avestruz? Ele está sem obras — implorou a pobre Carmem.
— Avelino estará ocupado com umas tarefas que passei para ele. Mentiu descaradamente o Crocodilo.
Carmem Codorna saiu chorando do escritório, sabia que não aguentaria. E, dito e feito, duas semanas foram suficientes para que ela fosse parar no Pronto Socorro. Diagnóstico: Síndrome de Burnout, uma estafa pesada.
O médico lhe recomendou férias e lhe deu um atestado de afastamento.
Quando Clodoaldo Crocodilo foi informado do ocorrido, imediatamente acionou seu modo maquiavélico. Passou a mão no telefone e ligou para a médica responsável pela obra.
— Doutora Polenta, aqui é o Clodoaldo. — Pois não, doutor Clodoaldo — respondeu a doutora Palmira Polenta. Não porque Clodoaldo fosse doutor, mas porque exigia que fosse chamado assim para massagear seu ego enorme.
— Doutora Polenta, a senhora recebeu aí o atestado da Carmem Codorna, certo? Pois a senhora vai colocar no prontuário dela que o atestado é falso e que ela está apta a trabalhar. Assim, vamos demiti-la por justa causa — vociferou o Crocodilo.
— Mas, doutor Clodoaldo, eu estaria cometendo uma farsa; isso seria ilegal — defendeu-se a doutora Polenta.
— Doutora, a senhora quer continuar tendo trabalho aqui na cidade de Poeirópolis? Quer manter sua reputação ou prefere que eu diga por que a senhora não vai mais trabalhar conosco? — ameaçou o Crocodilo.
— Doutor Clodoaldo, pense bem. Eu vou me colocar em uma enrascada e vamos prejudicar a pobre Carmem — respondeu a doutora Polenta.
— Enrascada, a senhora já está. Só lhe resta saber de que lado quer ficar — disse o Crocodilo, desligando o telefone na cara da médica.
E assim era o jogo de Clodoaldo, passando por cima das pessoas como se fosse um trator.
Clodoaldo não era um vilão de desenho animado. Era real. Como tantos que vestem ternos caros e camisas engomadas, mas escondem práticas tóxicas, inseguras e autoritárias.
Toda empresa precisa ficar atenta aos Clodoaldos. Eles minam a confiança, silenciam talentos e destroem equipes por dentro.
Reflexões para você, leitor ou leitora: Você conhece algum Clodoaldo em sua jornada?
Será que práticas assim ainda sobrevivem na sua cultura?
Que tipo de líder você está formando: um que inspira ou um que vigia?
O que sua empresa tolera em nome de “resultados”?
No próximo capítulo, vamos explorar as consequências do reinado de Clodoaldo Crocodilo e a possível chegada de alguém disposto a enfrentá-lo.
Prepare-se!
Eduardo Levy Cotes, Consultor de Empresas Administrador Coaching
Especialista em Marketing Vendas Treinamentos Palestrante
Instagram @edulevyvendas
E-mail : atendimento@mgdmarketing.com.br
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