Prezada leitora, prezado leitor, como é de praxe, estamos nós aqui nas páginas do Jornal O Serigráfico.
A segunda parte da nossa Fábula do Mundo Corporativo, a saga de Clodoaldo Crocodilo, acaba de sair do forno, em mais uma história envolvente.
Clodoaldo armara uma verdadeira bomba no colo da doutora Polenta e nem se preocupou com os efeitos. Agia com tanta desfaçatez que não se importava com o dia de amanhã.
E você deve estar se perguntando por que as pessoas aceitaram — e ainda aceitam — as ingerências e atitudes de Clodoaldo.
Cidades como Poeirópolis não possuem tantas opções de trabalho. Ou se abraça uma oportunidade como a do Grupo Madagascar, ou se está fadado a ficar com opções inferiores do comércio local.
E o Crocodilo sabia muito bem disso. Jogava com as peças em cima do tabuleiro como em um xadrez gigante, com cada movimento muito bem pensado.
As pessoas são envolvidas nesta máquina de moer gente e, todos os dias, vão colocando dedinho por dedinho, sem perceber que estão sendo consumidas aos poucos — vendendo seu tempo e suas vidas a troco de um salário mensal para sustentar suas famílias.
Diferente de Clodoaldo, que, como gerente de obras, era alocado de acordo com os projetos, tendo casa, carro e benefícios extras como parte do cargo.
Haroldo Saruê, por exemplo, não tinha a mesma sorte. De uma família de dez irmãos, foi o único que permaneceu na cidade. Os demais ou faleceram, ou foram buscar oportunidades em outras regiões.
Olheiras fundas, mãos calejadas, olhar cansado, sorriso tímido. Este era o homem.
Haroldo tinha um filho com uma doença rara, que exigia cuidados em tempo integral. Sua esposa, Olga Saruê, dedicava-se à casa e ao menino, o pequeno Saruê.
Para Haroldo, o plano de saúde era tudo. Ter assistência médica para o filho era sua razão de viver.
Ele era o primeiro a chegar, fazia coisas que não eram de sua competência, como organizar e até limpar o escritório. Fazia de tudo para não ser notado por qualquer falha. Também era o último a sair. Mesmo após concluir suas tarefas, esperava todos irem embora , especialmente Clodoaldo.
Sabendo disso, o Crocodilo abusava. O carro era lavado por Haroldo na hora do almoço. Os sapatos, engraxados semanalmente. As encomendas? Haroldo buscava.
Compras de supermercado, pagamento de contas, entre outras cosas, tudo caía nas costas de Haroldo.
Naquela tarde, não foi diferente. Clodoaldo chegara do almoço, chamou Haroldo à sala:
— Pois não, doutor Clodoaldo.
— Haroldo, vá até o escritório do Gumercindo Valeta, retire um ‘pacote de doces’ que está em seu nome e entregue para a minha empregada.
— Pacote de doces no meu nome? — perguntou o inocente Saruê.
— Você está surdo? Está com algum problema de audição? — vociferou o Crocodilo.
— Não, doutor Clodoaldo, só achei estranho. Mas já estou indo. — respondeu o cabisbaixo Haroldo.
Haroldo saiu dali com o coração pesado. Gumercindo Valeta era fornecedor da obra do Agrião. Retirar um pacote em seu nome não soava certo.
Chegando ao endereço, pediram para ele entrar pela garagem. Abriram o porta-malas do carro e colocaram uma caixa embrulhada em papel pardo.
Aquilo não tinha cheiro de doce. Nem cor, nem textura.
Haroldo segurou o volante com força. Não pela direção. Mas para tentar não perder o controle de si mesmo.
De um lado, a dúvida. Do outro, a imagem do seu filho. Uma realidade dura e cruel.
Reflexões para o leitor:
Quantos Haroldos silenciosos existem nas empresas por aí?
Quantos líderes se escondem atrás de cargos para cometer abusos?
Que tipo de cultura permite que o medo suplante o respeito?
Você está construindo ambientes de coragem ou de submissão?
Nos vemos na próxima edição.
Eduardo Levy Cotes, Consultor de Empresas Administrador Coaching
Especialista em Marketing Vendas Treinamentos Palestrante
Instagram @edulevyvendas
E-mail : atendimento@mgdmarketing.com.br
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