Seguindo as ordens do chefe, o asseclamor de Clodoaldo, Avelino Avestruz, seguiu firme para cumprir mais uma missão.
Afinal de contas, “missão dada é missão cumprida”, enchia o peito e repetia o Avestruz. Aquilo, para ele, se tornara tão normal que já não pensava mais…
Prezada leitora, prezado leitor, nosso encontro mensal nas páginas do glorioso Jornal O Serigráfico chegou mais uma vez.
Mergulhamos ainda mais fundo no pântano sombrio do reinado de Clodoaldo Crocodilo. Se, nas partes anteriores, já observamos o veneno do autoritarismo escorrer pelas bordas, agora veremos o réptil afiar seus dentes e preparar um verdadeiro banquete de maldade.
Avelino esperava pelo final do expediente, na surdina, de rabo de olho, monitorando a saída do pessoal.
O ambiente era pesado: o silêncio dos corredores só era quebrado pelo barulho do vento batendo nas janelas, e até o ar-condicionado parecia soprar um ar gélido de desconfiança.
Para facilitar a atividade soturna do Avestruz, o Crocodilo saiu mais cedo, porque, caso contrário, todos ficariam esperando ele sair.
Avelino passou a mão no envelope de Euclides, pegou sua documentação de férias, enfiou-a na pasta e deixou o escritório na penumbra. Aquela documentação nunca mais foi vista.
O Jogo da Humilhação
Clodoaldo descobrira que, mais do que comandar números e planilhas, o que lhe causava prazer era o poder de humilhar.
Os relatórios financeiros já não lhe davam o mesmo sabor. O que alimentava sua alma obscura eram os olhares baixos dos subordinados, o silêncio constrangido e o medo estampado nos corredores.
Na manhã seguinte, em mais um dia normal no calendário de Clodoaldo, ele chegou ao escritório todo faceiro. Porém, encontrou um Euclides Gafanhoto pálido e nervoso.
— Chefe! Olha o que eu encontrei na minha mesa hoje cedo — gaguejou Euclides, com a voz trêmula e as mãos suadas.
Clodoaldo agarrou o pedaço de papel que Euclides segurava: um bilhete escrito em letras de forma:
“EU VI O QUE VOCÊ FEZ ONTEM À NOITE”.
Ambos sabiam o que tinha acontecido… Mas, e agora, haveria uma testemunha?
— Quero todos na sala de reuniões, agora! — rugiu Clodoaldo, com sua voz grave que ecoava como trovão.
Haroldo Saruê, ainda trêmulo do último sermão, tentou explicar que estava finalizando um relatório. Não houve espaço.
— Relatório pode esperar. A minha ordem, não! — vociferou o Crocodilo, batendo a mão na mesa como um martelo que decretava sentenças.
Todos entraram. Um silêncio denso tomou conta da sala. As paredes pareciam encolher, o ar estava mais pesado do que nunca. O barulho das cadeiras arrastadas soava como trovões em meio à tensão.
Clodoaldo andava em círculos, como um predador antes do bote.
— Quero que todos peguem um pedaço de papel e escrevam o seu próprio nome em letra de forma maiúscula. — decretou o Crocodilo.
Ninguém entendeu nada, mas, como tudo era imprevisível, apenas seguiram a orientação. Cada nome rabiscado tremia junto com a mão que segurava a caneta. O suor escorria pela testa dos mais frágeis, enquanto o silêncio se transformava em um grito abafado de pavor.
Euclides recolheu os papéis a mando de Clodoaldo e os depositou sobre a mesa de reunião.
— Agora voltem ao seu trabalho. — Em mais um decreto lacônico, anunciou o Crocodilo.
Todos saíram com um único pensamento: que tipo de sorteio seria aquele? O que o maquiavélico ser do pântano da maldade faria com todos os nomes?
Inocentemente, o lacaio-mor perguntou ao chefe:
— Doutor Clodoaldo, desculpe a curiosidade, mas o senhor vai sortear o quê? Vai escolher um nome para quê? — perguntou o inocente Euclides.
— Euclides, deixa de ser burro, não está vendo que eu quero comparar a letra dos papéis com a letra do bilhete? — respondeu o ladino Crocodilo.
— O único sorteio que eu vou fazer aqui é demitir o ordinário que se atreve a nos afrontar.
A Manipulação do Medo
Clodoaldo sabia que a pior prisão não era feita de grades, mas de amedrontamento coletivo.
Após o espetáculo, foi até a porta da sala e gritou pelo Haroldo.
— Saruê, lave meu carro e depois vá ao escritório da Pregos Caixa Prego. Tem uma encomenda te esperando. É só retirar o pacote que está no seu nome e levar na minha casa.
O sofrido Haroldo, sem pestanejar, largou tudo e seguiu na busca de cumprir as tarefas, enquanto Clodoaldo sorvia uma bela xícara de café quente em sua sala refrigerada, observando o movimento do escritório como quem assiste a um teatro particular da submissão.
Haveria agora uma testemunha das malvadezas de Clodoaldo, ou seria apenas mais uma armadilha criada pelo próprio Crocodilo em seu jogo doentio de manipulação?
Reflexões para você, leitor atento
E então eu lhe pergunto:
- Quem teria escrito o bilhete misterioso? Uma testemunha corajosa… ou o próprio Clodoaldo, para manipular ainda mais pelo medo e manter o Gafanhoto sob pressão?
- Que tipo de líder é este que precisa esmagar para se sentir grande?
- Quantas empresas sobrevivem hoje alimentando o medo como ferramenta de produtividade?
- Você já presenciou um ambiente assim, um verdadeiro “banquete de maldades” em sua organização, onde alguém foi usado como exemplo apenas para consolidar o poder de outro?
No próximo capítulo, veremos até onde Clodoaldo está disposto a ir — e talvez descubramos se há, no meio do pântano, alguém com coragem suficiente para enfrentá-lo… ou se todos acabarão devorados pela tirania do Crocodilo.
Eduardo Levy Cotes, Consultor de Empresas Administrador Coaching
Especialista em Marketing Vendas Treinamentos Palestrante
Instagram @edulevyvendas
E-mail : atendimento@mgdmarketing.com.br
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