Prezado leitor, prezada leitora, Existem derrotas que duram noventa minutos.
Outras permanecem por semanas. Algumas, infelizmente, conseguem atravessar empresas inteiras.
Naquela segunda-feira de julho, a Gráfica Arena amanheceu diferente.
O Brasil havia sido eliminado da Copa do Mundo.
As bandeiras verde-amarelas ainda pendiam do teto, mas já não dançavam com o mesmo entusiasmo. Os cartazes espalhados pela empresa pareciam fotografias de uma festa que terminara cedo demais.
O rádio permanecia desligado. Ninguém queria ouvir comentaristas. Ninguém queria rever gols. Ninguém queria explicar o inexplicável.
O silêncio era suficiente.
Zeca Zebra caminhava lentamente entre as máquinas.
Na sexta-feira anterior, ele liderava o bolão, organizava churrascos, discutia escalações e acreditava, com a convicção de uma criança, que aquele seria finalmente o ano do Hexa.
Agora, carregava uma caixa de tintas como quem carregava uma decepção.
Parou diante da máquina de impressão.
Passou a mão sobre o equipamento. Respirou fundo.
— Achei que dessa vez ia… Ninguém respondeu.
Não era preciso.
Todos ali tinham perdido alguma coisa.
Uns perderam um jogo. Outros perderam o entusiasmo. Alguns perderam clientes.
Outros perderam dinheiro.
Lá do mezanino, Dr. Castor observava um prejuízo bem diferente.
No depósito, permaneciam empilhadas centenas de caixas com camisetas comemorativas, faixas promocionais, bonés personalizados e materiais preparados para uma campanha que simplesmente deixara de existir.
Ele havia comprado matéria-prima acreditando que o Brasil chegaria longe.
Negociara prazos maiores com fornecedores.
Antecipara a produção.
Esticara o fluxo de caixa.
Na planilha, parecia uma decisão inteligente.
Na vida real, transformara esperança em estoque.
Passou lentamente entre aquelas pilhas.
Tocou uma das caixas.
Era curioso.
Na semana anterior, enxergava lucro. Agora, via apenas capital parado. Nesse instante, Beto Beija-Flor entrou na sala segurando alguns pedidos cancelados.
— Doutor… Três clientes desistiram das campanhas. Disseram que não faz mais sentido.
Castor apenas assentiu.
Nem força para reclamar lhe restava. Foi então que uma voz calma rompeu o silêncio.
— Posso fazer uma pergunta?
Era Tobias Tartaruga.
Poucos na empresa percebiam sua presença.
Era daqueles profissionais antigos que nunca levantavam a voz, mas cuja ausência era imediatamente sentida.
Castor apenas fez um gesto afirmativo.
— O senhor comprou tecido… ou comprou esperança?
A pergunta ficou suspensa no ar. Ninguém respondeu.
Porque algumas perguntas não procuram respostas. Elas procuram consciência.
Castor caminhou até a janela. Olhou novamente para o estoque. Pela primeira vez, percebeu que não havia apostado apenas em uma campanha comercial. Havia colocado parte da tranquilidade financeira da empresa nas pernas de onze jogadores que jamais souberam que a Gráfica Arena existia.
Enquanto isso, no chão de fábrica, Zeca continuava imóvel.
Tobias aproximou-se dele.
— Está difícil voltar ao ritmo?
— Parece que tiraram a vontade da gente.
Tobias sorriu discretamente.
— Então vocês entregaram a chave do humor de vocês para pessoas que nunca souberam que vocês existiam?
Zeca permaneceu em silêncio. A frase acertou em cheio.
— Claro que fiquei triste — continuou Tobias. — Também queria ver o Brasil campeão. Mas o pão da minha família nunca saiu do placar. Sai desta máquina. Sai deste uniforme. Sai do compromisso que assumimos uns com os outros. A Copa acabou. Nossa responsabilidade, não.
Naquele momento, Dr. Castor desceu do escritório.
Pela primeira vez naquela manhã, ele não falou sobre vendas. Não falou sobre prejuízo. Não falou sobre metas.
Apenas reuniu a equipe.
— Pessoal… Perdemos uma aposta, mas não perdemos nossa capacidade. A campanha da Copa terminou. Agora começa a campanha do Dia dos Pais. As máquinas continuam aqui. Os clientes continuam precisando de nós. E as contas também. Não podemos escolher o resultado de um jogo, mas podemos escolher a qualidade do nosso trabalho hoje.
As palavras não vieram carregadas de motivação barata. Vieram carregadas de realidade.
Pouco a pouco, o ambiente começou a mudar.
Uma máquina foi ligada. Depois outra.
O cheiro de tinta voltou a ocupar o galpão.
As conversas reapareceram.
Os pedidos voltaram às mesas.
A vida retomava seu lugar.
Antes de iniciar a impressão do primeiro lote, Zeca olhou para a bandeira do Brasil presa em uma coluna. Estendeu a mão para retirá-la.
Tobias segurou seu braço.
— Deixa.
— Mas acabou…
— Acabou a Copa. Não acabou o Brasil. Muito menos o campeonato da nossa vida.
Zeca sorriu pela primeira vez naquela semana.
Ligou a máquina.
O som da impressão ecoou por todo o galpão.
Naquele instante, ninguém comemorava gols, mas todos voltavam a construir algo muito mais importante: o futuro.
Porque julho ensinou à Gráfica Arena que derrotas fazem parte do jogo. O que realmente define um time — e uma empresa — não é o placar do domingo.
É a coragem de levantar na segunda-feira.
Reflexões para você, leitor atento:
- Quando um plano não acontece como você imaginou, você perde apenas o resultado… ou também perde a vontade de continuar?
- Quantas vezes você colocou sua esperança em fatores que jamais estiveram sob seu controle?
- Sua empresa reage às derrotas procurando culpados… ou procurando novos caminhos?
- Você está administrando expectativas… ou administrando realidades?
- E a pergunta mais importante deste mês: Depois do apito final… qual campeonato ainda continua esperando por você amanhã cedo?
Eduardo Levy Cotes, Consultor de Empresas Administrador Coaching
Especialista em Marketing Vendas Treinamentos Palestrante
Instagram @edulevyvendas
E-mail : atendimento@mgdmarketing.com.br


