Claudilei Simões de Sousa

Mara de Paula Giacomeli

Leo, da Otiam

foto-veteranoLeonardo João da Silva, mais conhecido como Leo, da Otiam, está no mercado de serigrafia há “apenas” 43 anos… Minha vida profissional começou como barbeiro, quando eu tinha 13 anos. Eu sou de Joinville e comecei a trabalhar desde cedo. Eu gostava da profissão de barbeiro e exerci por 8/9 anos. Nesse meio tempo resolvi fazer um curso de mecânico de manutenção no SENAI. Aí com 22 anos acabei indo trabalhar nas Linhas Corrente, onde eu ajudava a fabricar aqueles carretéis de madeira enormes e por lá fiquei até os 30 anos, trabalhando como torneiro mecânico”, conta Leo.
Foi por intermédio do irmão Leonel, que já trabalhava em serigrafia desde os anos 50, que Leo foi entrando nesse mercado. “Meu irmão me orientou a fazer umas garras para fixação de matrizes, já que eu entendia de mecânica. Eu comecei a produzir em Joinville e trazer para vender no Palácio do Silk-Screen. Mas eu tinha um sobrinho que trabalhava em Curitiba e, por intermédio dele, conheci o Julio Maito Filho, que na época tinha uma serralheria desativada. Ele me mostrou o que ele fazia e nós três nos interessamos em nos juntar para tocar a empresa. Três meses depois, eu estava morando em Curitiba e então co0meçamos a produzir, pois a empresa (Otiam) já estava aberta. Entrei com uma pequena participação, como sócio minoritário. Comecei a ir para São Paulo com as peças que produzíamos e acabei conhecendo o Juvêncio e o Dácio, da Serv-Screen, que me deram muita orientação na época. Voltei para Curitiba cheio de idéias e desenvolvemos carrosséis e mesas a vácuo para o mercado de serigrafia”, relembra.
Empreendedor nato, Leo começou a se atualizar sempre sobre as tendências do mercado e buscar novas tecnologias, para ter condições de competir com grandes empresas. “Em 78 fiz minha primeira viagem para os Estados Unidos e tive mais conhecimento da área. Repeti essa viagem por 15 anos, indo todos os anos para os Estados Unidos e Europa em busca de novas tecnologias, tanto que a Otiam foi pioneira em alguns produtos no Brasil, justamente por causa dessa busca constante por novidades. Em 1996, houve uma divisão na sociedade e fundei, então, a Equiprint, porém continuei detentor da marca Otiam”, explica.
Amigo e companheiro por 27 anos de estrada, Leo relembra saudoso de Sergio Horta, seu fiel escudeiro. “Ele foi meu vendedor e trabalhamos, dividimos experiências e viajamos juntos durante uma vida”, comenta. Obviamente, não faltam “causos” para contar nesses 43 anos de serigrafia. “Fizemos uma feira em Minas Gerais em que estávamos fazendo impressão com tinta vinílica no estande e tinha muita gente querendo as amostras do que estávamos imprimindo. Para agilizar e atender todo mundo, a regra dada foi: quando eu levantar a tela, mete a mão e pega. Vocês podem imaginar quanta gente saiu de lá com a mão borrada, né?!”. Mas a história mais engraçada mesmo, que outro veterano já contou aqui nessa coluna, mas que foi protagonizada pelo Leo foi servir ração de cachorro no lugar dos petiscos. “O pessoal vinha sempre comer petiscos no estande e certa hora aquilo me irritou. Comprei ração de cachorro, coloquei na petisqueira. O povo comeu, adorou e elogiou o petisco. Eu eu rindo por dentro…”.
Para finalizar, Leo nos fala um pouco sobre as mudanças do mercado nesse tempo: “quando comecei, a comunicação visual não representava 5{0745c43c0e3353fa97069a60769ee4ddd8009579514cad9a011db48d81360048} do mercado. Hoje, eu diria que é mais de 80{0745c43c0e3353fa97069a60769ee4ddd8009579514cad9a011db48d81360048}, já que a impressão digital é mais rápida e tem custo mais baixo para pequenas tiragens. O mercado melhorou muito em termos de profissionalismo. Hoje, todo mundo acompanha de perto as inovações e vai buscar tecnologia lá fora. Foi dessa maneira que me desenvolvi muito; conheci diversas pessoas dentro e fora do país e posso dizer que foi a serigrafia que me deu tudo o que eu tenho”.

Por:

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn