Prezada leitora, prezado leitor. Ano Novo. Tempo de recomeçar.
Tempo de energias renovadas. Espero que você tenha aproveitado muito o seu período de festas e que já esteja a todo vapor para começar mais um ano. E, se ainda não está, quem sabe não encontrará algumas respostas aqui?
Nesta edição do nosso quentíssimo jornal O Serigráfico, vamos mergulhar em mais uma gostosa Fábula do Mundo Corporativo. E, depois de acompanharmos as peripécias do vilão Clodoaldo Crocodilo, vamos conhecer nossos novos personagens.
Nossa cena se abre com um clima de final de expediente. Um escritório quase vazio. Alguns colaboradores ainda de férias. Aquela hora indefinida entre o fim do trabalho e o começo do cansaço oficial da noite.
Zila Gartixa estava sentada de lado na cadeira. Uma caneca de chá pela metade, já frio pelo tempo de espera. Dois biscoitos mordidos, abandonados ao lado da xícara. O notebook estava aberto, mas a tela apagada. Não por economia de bateria — por desânimo mesmo.
— Eu já tentei de tudo — disse ela, sem olhar para o colega de sala.
Sentado a duas mesas de distância, Edgar Fanhoto respondeu, lacônico:
— Tudo o quê?
Ele mastigava devagar uma barra de cereal esquecida na gaveta. Zila soltou um riso curto.
— Tudo que promete mudar a vida em três semanas. Cursos, mentorias, desafios… “21 dias para virar outra pessoa”, lembra?
Edgar assentiu, sem ironia.
— E você virou?
— Virei especialista em começar
— respondeu ela. — Em continuar, nunca.
Ela se virou para ele, agora séria.
— O pior não é falhar. É a sensação de que o problema sou eu. Que falta algo em mim.
Edgar apoiou os cotovelos na mesa. — Posso discordar?
— Pode. Mas tenta não ser mais um guru — disse Zila, na defensiva.
Ele sorriu de canto.
— Fica tranquila. Guru promete palco. Eu só tenho calendário.
Zila franziu a testa.
— Calendário?
— É — disse Edgar, puxando um caderno surrado da mochila. — Quer ver?
Você desistiu… ou só parou de voltar? A pergunta pousou pesado.
— Eu… parava — admitiu ela. — Sempre que não saía perfeito. Como se errar fosse prova de incompetência.
Edgar encostou na cadeira.
— Esse é o truque mais antigo do cérebro. Ele te convence de que, se não for perfeito, não vale a pena.
Pegou uma caneta e desenhou dois quadrados no papel.
— Imagina dois anos. Um cheio de empolgação em janeiro… e vazio depois. Outro bagunçado, com falhas, mas ainda em movimento em dezembro.
Ele levantou os olhos. — Qual deles avança?
Abriu numa página qualquer. Havia riscos. Dias marcados. Outros em branco. Nenhuma obra de arte.
— Isso aqui é o meu último ano. — Só isso? — ela perguntou. —
Sem frases motivacionais?
— Sem.
— E esses dias vazios?
— Foram dias ruins.
Zila observou melhor.
— Mas… você não parou.
— Não — respondeu Edgar. — Eu só falhei sem dramatizar.
Ela ficou em silêncio.
— Zila — continuou ele —, deixa eu te perguntar uma coisa incômoda.
Zila engoliu seco.
— O segundo.
— Sempre — respondeu Edgar. — Mas ninguém posta ele no Instagram.
Ela riu. Um riso mais leve agora. — Então não é falta de disciplina? — Não — disse ele. — É falta de
sistema. Disciplina sem sistema vira exaustão. Sistema com recuperação vira progresso.
Zila cruzou os braços.
— E quando a motivação some? — Ela sempre some — respondeu
Edgar. — Por isso eu nunca conto com ela.
Ele apontou para o calendário.
— Nos dias difíceis, eu faço o mínimo.
— O mínimo?
— O suficiente para não quebrar a sequência.
— Tipo…?
— Ler duas páginas em vez de dez. Treinar uma série em vez do treino inteiro. Voltar. Sempre voltar.
Zila ficou olhando o papel por um longo tempo.
— Engraçado… Eu sempre achei que precisava fazer mais. E talvez só precisasse… continuar.
Edgar sorriu.
— A diferença entre 21 dias de esforço e 300 dias de progresso não é força. É atenção.
Ela fechou o notebook.
— Então, se eu quisesse recomeçar…
— Não recomece — interrompeu Edgar. — Continue de onde parou.
Zila respirou fundo.
— Sem promessas milagrosas?
— Sem — respondeu ele. — Só um compromisso silencioso: sempre voltar.
Ela pegou uma caneta da mesa. — Me empresta seu calendário? — Não — disse Edgar, levantando-
- — Constrói o seu.
Zila sorriu. Não aquele sorriso de quem venceu — mas o de quem, finalmente, entendeu.
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Reflexões para você, leitor atento:
- Quantas vezes você desistiu… quando só precisava voltar?
- Onde você está exigindo perfeição quando o progresso pede constância?
- Seu plano sobrevive aos dias ruins — ou só aos dias motivados?
Às vezes, não é sobre começar de novo. É sobre não abandonar a história no meio. Algumas pessoas não fracassam. Elas apenas param de voltar.
Nos vemos na próxima fábula.
Eduardo Levy Cotes, Consultor de Empresas Administrador Coaching
Especialista em Marketing Vendas Treinamentos Palestrante
Instagram @edulevyvendas
E-mail : atendimento@mgdmarketing.com.br
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