Prezado leitor, prezada leitora,
Maio chegou. O mês das noivas, das flores e das homenagens àquelas que tudo sustentam. Mas, no mundo corporativo, nem todo casamento nasce de um romance. Alguns são uniões por conveniência, outros por necessidade, e a grande maioria… por pura sobrevivência.
Nesta fábula, o altar não está em uma igreja, mas no balcão de expedição da Gráfica Savana.
De um lado, com o terno impecável e o sorriso de quem acaba de conquistar o mundo, estava o Galo Galindo. O “astro” das vendas. Galindo tinha o dom da palavra, mas também a perigosa mania de prometer o céu antes mesmo de saber se o estoque tinha chão. Para ele, “não” era uma palavra que não existia no dicionário comercial.
Do outro lado, de avental sujo de tinta e semblante fechado, estava o Rinoceronte Rinaldo. O mestre da produção. Rinaldo era a força bruta, o pragmatismo em pessoa. Para ele, cada promessa mirabolante do Galo era um ataque direto à sua paz.
— “Ele vendeu 50 mil impressões com verniz localizado para entrega em 24 horas? Ele enlouqueceu ou acha que eu faço milagre?”, bufava Rinaldo, enquanto as máquinas gemiam sob o peso da urgência. O clima na Savana era de divórcio litigioso. Vendas e Operação não se falavam; apenas trocavam acusações através de e-mails copiados para a diretoria. O Comercial dizia que a Produção era lenta; a Produção dizia que o Comercial era irresponsável. E, no meio desse fogo cruzado, o “filho” — o Cliente — era quem mais sofria, recebendo prazos furados e qualidade duvidosa.
Foi então que surgiu a Dona Úrsula. Dona Úrsula Ursa não era diretora por título, mas por natureza. Com o instinto de quem protege a cria e a sabedoria de quem já sobreviveu a muitos invernos rigorosos no mercado, ela foi chamada para mediar a crise antes que a empresa colapsasse.
Naquela manhã de maio, ela não chamou uma reunião. Ela convocou um “conselho de família”. Sentou o Galo e o Rinoceronte frente a frente.
— “Escutem bem”, começou ela, com uma voz que misturava o mel da paciência com a garra da autoridade. “Vocês estão tentando provar quem é o mais forte, mas esqueceram que estão no mesmo barco. Se o Rinaldo não entrega, a venda do Galindo vira mentira. Se o Galindo não vende, a máquina do Rinaldo vira sucata.”
O Galo tentou interromper com uma desculpa sobre “metas agressivas”, mas a Dona Úrsula levantou a pata em silêncio.
— “Liderar não é gritar mais alto, Galindo. É Direcionamento. E produzir não é apenas operar máquinas, Rinaldo. É Gestão. O que falta aqui é o ‘Casamento da Coerência’.”
Ela pegou um papel em branco e desenhou três letras que você, leitor atento, já conhece bem: MGD.
— “Mente: para entender que o objetivo é comum. Gestão: para alinhar o que se promete com o que se pode cumprir. E Direcionamento: para que todos saibam para onde a energia está sendo canalizada.”
Dona Úrsula então impôs a nova regra: a partir daquele dia, nenhum contrato seria assinado sem o “visto” técnico, e nenhum cronograma de produção seria fechado sem o feedback da linha de frente comercial. Ela forçou a união. Não por amor, mas por inteligência estratégica.
Semanas depois, o milagre aconteceu. O Galo Galindo aprendeu a vender valor e prazo real. O Rinoceronte Rinaldo, sentindo-se respeitado, passou a buscar soluções técnicas para viabilizar as metas. O “casamento” entre a Venda e a Entrega finalmente aconteceu no altar da rentabilidade.
No final das contas, Dona Úrsula ensinou que a melhor homenagem que se pode fazer ao Dia do Trabalho e às Mães da Estratégia é cuidar do ambiente onde passamos a maior parte do nosso tempo. Porque, no fundo, uma empresa só prospera quando deixa de ser um pântano de egos para se tornar uma família de resultados.
Reflexões para você, leitor atento:
- O “Noivado” da sua empresa: Como está o relacionamento entre o seu comercial e a sua produção? É um casamento de parceria ou um divórcio em andamento?
- O Papel da “Mãe” Líder: Você tem agido como a Dona Úrsula Ursa, que traz o equilíbrio e a visão sistêmica, ou está apenas assistindo à briga dos “filhos”?
- Promessa vs. Entrega: O que custa mais caro na sua serigrafia: perder uma venda por ser honesto no prazo ou perder o cliente por prometer o impossível?
- Dia do Trabalho: Sua equipe trabalha para provar que está certa ou para fazer a empresa dar certo?
- A Meta Real: Qual o legado que sua gestão deixará em maio? Um faturamento inflado por mentiras ou um lucro sólido construído com verdade e colaboração?
Nos vemos na próxima fábula.
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Eduardo Levy Cotes, Consultor de Empresas Administrador Coaching
Especialista em Marketing Vendas Treinamentos Palestrante
Instagram @edulevyvendas
E-mail : atendimento@mgdmarketing.com.br
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