No universo da indústria química e gráfica, uma liderança brasileira tem provado que a rentabilidade não nasce apenas de fórmulas, mas de uma rara combinação entre disciplina, filosofia e a coragem de enxergar o que os dados, por si só, não revelam. Lara Vargas, Presidente Latam da Marabu Inks, é a personificação da executiva contemporânea: aquela que transita com a mesma naturalidade entre o «chão de fábrica» do SENAI e as complexas mesas de negociação internacional.
Mãe de dois meninos, esposa e entusiasta da psicologia, Lara não vê fronteiras entre suas múltiplas facetas. Para ela, as frequentes viagens a trabalho não são apenas deslocamentos logísticos, mas “observatórios humanos” onde ela estuda as diversas formas de pensar e agir. Essa bagagem humanística foi o tempero secreto para uma das viradas de gestão mais impressionantes do setor: a transformação de uma operação deficitária na unidade mais rentável do grupo Marabu, empresa alemã fundada há 166 anos.
A trajetória de 11 anos de Lara na Marabu é marcada por decisões que, na época, pareciam contramão. Em um mercado saturado por soluções de baixo custo, ela apostou no segmento premium de tintas digitais.
“A decisão foi vista como arriscada, mas aumentou o volume de vendas e nos levou a um patamar de lucratividade transformador”, recorda.
Para ela, o lucro nunca foi um fim, mas um meio. Ao assumir a presidência, propôs um pacto de excelência: reinvestir o excedente em pessoas e suporte técnico. O resultado? Uma simbiose entre a tecnologia de ponta e a “ginga” latina, provando que o rigor europeu ganha vida nova quando temperado com a agilidade brasileira.
Enquanto muitos líderes temem que a Inteligência Artificial e a automação desumanizem os processos, Lara caminha na direção oposta. Sob seu comando, o uso da plataforma online Voyant oferece à Marabu uma ferramenta de escala para o talento humano. A tecnologia cuida da conveniência 24/7, enquanto o time técnico fica livre para resolver o que é complexo, o que é subjetivo, o que é humano.
Sua visão de futuro é clara: o mercado gráfico brasileiro precisa abraçar a diferenciação. Em um mundo inundado por descartáveis, Lara aposta na convergência entre o analógico e o digital — a durabilidade da serigrafia com a personalização do jato de tinta.
Se há algo que define a gestão de Lara Vargas, é a palavra colaboração. Sua passagem por gigantes da TI trouxe a cultura dos dados (datadriven), mas sua essência permanece ligada à base técnica. Ela olha para o Paraguai e enxerga lições de segurança jurídica; olha para o Brasil e enxerga um oceano de 450 mil empresas sedentas por inovação.
Ao ser questionada sobre como deseja ser lembrada, a resposta foge do ego corporativo. Ela não fala de cargos, mas de impacto.
“ Por promover o crescimento conjunto: integrar diferentes players, compartilhar conhecimento e construir capacidades que beneficiem todo o setor de impressão. Que nos lembrem por criar condições para que cada empresa entregue o seu melhor, gerando impacto positivo, amplo e sustentável.”
Lara Vargas é, acima de tudo, uma “sonhadora prática”. Alguém que utiliza a filosofia para entender o mundo e a técnica para transformá-lo. Neste Dia da Mulher, sua história serve como um manifesto: a liderança feminina não é apenas sobre ocupar espaços, é sobre redefinir a própria natureza do sucesso, tornando-o mais humano, inteligente e, acima de tudo, compartilhado.
lav@marabu.com
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