É comum que a rotina moderna nos reduza a uma função puramente mecânica: trabalhamos para comer, comemos para trabalhar e seguimos o fluxo, sem questionar a direção do vento. Recentemente, ao resgatar o clássico setentista “Fernão Capelo Gaivota”, de Richard Bach, fui confrontada com uma pergunta que parece ter se perdido no barulho da pressa: o que estamos fazendo com as nossas asas?
A fábula de Fernão, a gaivota que preferia a acrobacia ao alimento, é mais do que uma história sobre pássaros; é um espelho da condição humana. Enquanto seu bando se contentava com o básico para a sobrevivência, Fernão buscava a excelência técnica e a transcendência. Ele foi punido por isso. O isolamento, no entanto, não foi seu fim, mas o laboratório de sua grandeza.
O preço da autenticidade, muitas vezes, é a incompreensão alheia. Quantas vezes abandonamos projetos autorais ou sonhos legítimos porque o grupo ao nosso redor os classificou como perda de tempo?
Viver com qualidade e colocar o coração naquilo que se faz não deveria ser um ato de rebeldia, mas o nosso estado natural. Que possamos, como Fernão, desafiar os modelos pré-estabelecidos e entender que a vida é um horizonte vasto demais para ser gasto apenas catando migalhas na areia.
Como bem pontua o autor e palestrante Roberto Shinyashiki : “Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado”.
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