“A engenharia ‘de verdade’ é conseguir fazer mais com menos recursos, mais barato e, acima de tudo, melhor!”
É uma pena que esta não seja exatamente a regra para as inovações nas artes gráficas. Quer dizer, pelo menos não quando se fala das traquitanas digitais que vêm se popularizando como soluções assim chamadas “mais tecnológicas e profissionais”. Pois é, a conveniência há tempos vem substituindo a qualidade nas coisas que se fazem, particularmente no caso de impressão e fotografia.
Dá para notar o que estou dizendo se apenas “puxar pela memória” a história de poucos anos atrás. Por exemplo, um filme fotográfico à base de prata era capaz de registrar detalhes em 35 mm que a maioria das câmeras digitais atuais não chegam perto. Claro que existem câmeras digitais sofisticadas, mas o preço delas é algumas ordens de grandeza maior do que minha câmera pé-de-boi para obter resultado comparável. Para dar outro exemplo, filmes de fotolito usavam “imagesetters” de 3200 DPI (isto significa tamanhos de detalhe de 7 mícrons em máquinas calibradas), enquanto hoje aplaudimos equipamentos de jato de tinta com resolução física de 720 DPI (umas 2,8 vezes menor). Digamos que até “dá para o gasto” – exceto que gotas de tinta “crescem” quando fazem a aterrissagem na mídia (filme ou papel). O resultado pula para, no mínimo, 5 vezes (ou 35 mícrons – isto no melhor caso).
Vai ver que eu sou “saudosista”. SQN (só que não) – nosso tema é chegar a uma engenharia “de verdade”.
A primeira providência é chegar a um possível controle dos resultados e, para isso, tem algumas coisas que têm de ser compreendidas. Vamos começar com geometria.
Um engano comum: as pessoas (nas atividades gráficas) pensam em um equipamento e na capacidade de tal equipamento. Nosso exemplo acima, se dermos um pouco mais de atenção, mostra que após a gota de tinta ter “decolado” e sair voando na direção da mídia, o máximo que o equipamento vai fazer é mover a mídia. O quanto a gota vai “espalhar” depende unicamente do material de que a mídia é feita e da constituição da tinta.
O resultado impresso é como um banquinho: precisa ter 3 pés para ficar firme, ou seja: o equipamento, o material da mídia e o material da tinta – com qualquer pé “mais curto”, não será possível sentar no banquinho.
Voltando à questão do equipamento: fisicamente, a cabeça de impressão de jato de tinta tem uma quantidade de furos, espaçados de tal maneira que teremos uma certa quantidade ao longo do tamanho da mesma. Tomando uma unidade de medida (pode ser, por exemplo, 1 polegada), teremos uma quantidade de furos para cada unidade – e chamamos a isto “resolução física” da cabeça.
Uma pergunta “na ponta da língua” do usuário: – “Mas nas especificações diz que a impressora chega até 1440 DPI.”
E está estabelecida a confusão.
Em primeiro lugar, os furos da cabeça estão alinhados em direção paralela (na grande maioria dos casos) à alimentação da mídia. Isso significa que, se o papel avançar uma distância igual à metade da distância entre furos, a cabeça vai disparar o dobro da quantidade de jatos por unidade de medida (daí dizer que seriam “1440 DPI” – mas vamos dar nomes aos bois: são 720 ou 1440 JATOS por polegada – e não “pontos por polegada”, que seria o equivalente à quantidade de detalhes). Tem que entender o que seriam os tais “pontos”. O nome “resolução” aplicado a esse contexto é um equívoco.
Continuando: na direção da varredura da cabeça, a tal “resolução” declarada pelo fabricante da impressora é o produto da velocidade do carro pela frequência de disparos – mas, novamente, são “jatos por unidade de medida” e não, realmente, “tamanho de detalhe”.
Por quê? Simplesmente porque, se você dispara dois jatos a uma distância de 36 mícrons (720 DPI), mas as gotas no impresso ficam com 50 mícrons, significa que essas gotas ficarão sobrepostas em pelo menos 14 mícrons. Se você disparar jatos na metade dessa distância (1440 DPI) – e as gotas impressas vão estar do mesmo tamanho, porque não dependem da cabeça de impressão e sim da mídia e da tinta –, o que vai acontecer é que a sobreposição de gotas vai fazer você PERDER DETALHE, e não o oposto.
A distância ideal entre jatos é quando 100% da cor representam a mídia totalmente coberta com tinta. Ou seja, seria aquela distância igual ao diâmetro das gotas multiplicado pela raiz de 2 e dividida pelo dobro do seno de 45° (entretanto, a distância entre furos da cabeça de impressão é predeterminada).
Mas, em primeiro lugar, não é prático ficar fazendo esta conta e, em segundo lugar, mudando a mídia, muda o tamanho que a gota impressa vai ter. Não é possível ou prático pretender ser exato neste particular. A solução é fazer compensações nas proporções das intensidades de cor desejadas. Esta é a solução clássica que os usuários de editores de fotografia sempre usaram: determinar a curva característica e impor uma curva de correção.
Lembrando que os positivos para serigrafia devem contemplar apenas duas condições (ou passa luz, ou a luz não passa), a imagem tem que ser transformada em pontos de retícula, e estes, idealmente, bastante opacos. Cada ponto de retícula deve ter, idealmente, uma forma bem definida – mas, se esses pontos forem suficientemente pequenos, mesmo que “serrilhados”, eles farão o trabalho – novamente, fazendo compensações de curva tonal (sempre antes de reticular).
Com isto, temos a condição de compromisso onde o resultado estará suficientemente controlado.
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