Claudilei Simões de Sousa

Mara de Paula Giacomeli

Pós-impressão

Problemas e soluções na sublimação

É fato que muitos são os problemas na hora de sublimar uma peça. Muitas vezes aparecem manchas que quase sempre não sabemos de onde vem; e nossa reação natural é culpar o equipamento, a tinta ou o papel. Só que, na maioria dos casos, o problema está no que chamamos de pós-impressão, ou seja, em fatores que acontecem após a impressão do papel e antes ou durante a transferência.
Os problemas referentes aos equipamentos de impressão normalmente resumem-se a entupimento ou queima de cabeças. Raramente aparecerão manchas na impressão se você tem um bom equipamento. O mesmo vale para a tinta, que, via de regra, ou é boa ou não é. O mesmo vale para o papel. Se você usa um papel de boa qualidade e com uma resina uniforme que nunca te deu problema, dificilmente este será o culpado quando as manchas surgirem.
Então, de onde vêm tantos problemas e por que às vezes perdemos tantas peças? Os fatores são variados, mas vamos detalhar um a um.

Calandras

70{0745c43c0e3353fa97069a60769ee4ddd8009579514cad9a011db48d81360048} dos problemas de sublimação vêm da falta de pequenos ajustes em calandras e prensas térmicas. Começando pelo básico, é necessário um nivelamento adequado para esse equipamento, já que 1mm de desnível pode ocasionar um maior aquecimento em uma das laterais, causando as referidas manchas na sublimação. “O aquecimento da calandra é feito por um óleo interno que acaba escorrendo e se concentrando em um dos lados quando há um desnível. Isso pode ocasionar um aquecimento maior em uma das laterais e, consequentemente, uma transferência inadequada”, comenta Renato Gonçalves, técnico da Havir.
Fora isso, também é necessário observar se as esteiras da calandra estão bem esticadas, pois qualquer instabilidade na tração do tecido também é prejudicial à transferência. Aterramento, coifa exaustora para eliminar o excesso de calor e termômetros digitais para medição de temperatura também são fatores preponderantes para a qualidade da sublimação. “Excesso de calor, energia estática e a confiança cega nos termostatos das calandras têm levado muitos profissionais a perderem peças sublimadas. É sempre recomendável medir a temperatura da calandra com um termômetro digital na extensão de todo o cilindro, assegurando-se que o equipamento atingiu os 200°C necessários para a sublimação. Muitas vezes o termostato do equipamento mostra essa temperatura, porém por motivos diversos o cilindro apresenta variações de temperatura em sua extensão. O contrário também pode acontecer. Instalar uma calandra perto de uma janela, porta ou algum local com corrente de vento pode comprometer o trabalho da mesma maneira que o excesso de calor. Uma inocente corrente de vento pode alterar – e muito – a temperatura de um cilindro em uma pequena parte ou em toda a sua extensão”, comenta Renato.
A velocidade da calandra também deve ser observada com cuidado. De acordo com o diâmetro do cilindro é que a velocidade deverá ser regulada, variando de 1m por minuto a 2m por minuto. “Não se pode esquecer que o papel e o tecido têm que percorrer o diâmetro do cilindro num intervalo de 20 segundos. Se você aumentar a velocidade da calandra, você pode estar com a temperatura adequada de 200°C, porém com um tempo, por exemplo, de 15 segundos, o que ocasionará uma sublimação incorreta e provavelmente as cores sairão apagadas”, diz Renato. É recomendável, ainda, ter uma prensa térmica para que se possa fazer a transferência prévia e testar as cores para que haja parâmetro de comparação.

Prensas térmicas

Assim como as calandras, as prensas térmicas também necessitam de aterramento e nivelamento adequados, além do uso do teflon. Também é necessário medir a temperatura na parte superior da prensa, utilizando um aparelho digital de ponto laser. “Há casos em que uma das resistências do meio da prensa queima e mesmo assim o display do aparelho marca 200°C, mas quando você faz a medição percebe que há locais com apenas 150°C, por exemplo, ocasionando manchas. O custo desse aparelho de medição é baixo; vale a pena investir”, explica Renato.
Outro fator a ser observado é a pressão da prensa térmica. No caso das pneumáticas, o relógio deverá marcar 100 libras durante todo o processo de sublimação. Caso caia para 80 ou 60 libras durante os 20 segundos, você não obterá um resultado satisfatório no trabalho. Ainda para as prensas pneumáticas, é necessário, a cada 15 dias, tirar a água do compressor. Caso contrário, esta água poderá retornar à base de transferência gerando umidade no tecido e ocasionando manchas.
Para a base da prensa, não é bom utilizar espuma na parte que estará em contato com o tecido. O feltro dá um excelente resultado, porém em pouco tempo ele poderá criar ondulações e atrapalhar a sublimação, por isso é sempre bom observar se ele está plano. O ideal mesmo é usar uma base de silicone de 1 cm ou de 5 mm, que dura muitos anos, porém, devido ao alto custo, muita gente descarta essa opção. Como alternativa, recomenda-se fazer um “sanduíche” de espuma + feltro + papel Kraft, sempre substituindo o feltro.
As prensas térmicas também não devem ser posicionadas próximas a plotters, portas, janelas ou ventiladores, tampouco perto de área de corte, para evitar que os pequenos resíduos do tecido caiam sobre o papel e criem marcas na sublimação. Prensas a vácuo também devem ser observadas com cuidado, pois os orifícios do vácuo podem marcar o papel e causar manchas. Outra dica é fazer a transferência 3 horas após a impressão do papel, para que ocorra a cura perfeita da tinta.

Tecidos

Como regra geral, para sublimação, utilizamos tecidos brancos 100{0745c43c0e3353fa97069a60769ee4ddd8009579514cad9a011db48d81360048} poliéster, mas também vêm sendo muito utilizados o neoprene, o dry-fit, a helanca e o cetim.
Um dos principais problemas, na maioria das vezes desconhecido por quem trabalha com sublimação é a umidade. “A umidade é um fator predominante nas falhas de sublimação, manchas e afins e é algo quase nunca observado. A umidade pode estar localizada em uma parte do tecido – ocasionado manchas – ou em toda a sua extensão, impedindo a correta transferência das cores e ocasionando um aspecto desbotado. Essa umidade pode ocorrer no tecido tanto no transporte – especialmente tecidos vindos para o Brasil em navios, mesmo estando cuidadosamente embalados -, quanto no próprio local de trabalho. É quase impossível determinar ‘o culpado’ por ela, mas o importante é identificar o problema e resolvê-lo antes de sublimar a peça”, esclarece Renato. Para checar se o tecido está úmido, faça um teste prévio, utilizando um pedaço do mesmo e prensando a 200°C por 10 segundos. Caso saia fumaça da prensa, é sinal de que o mesmo está úmido e esta umidade deverá ser tirada antes da sublimação.
O encolhimento é outro problema bastante comum, mas quase nunca observado previamente. O mesmo teste da prensa deve ser feito para verificar o percentual de encolhimento do tecido. “Há casos em que o tecido encolhe até 4 cm e, obviamente, ocorre um desencaixe na estampa. Prensar uma parte do tecido a 200°C por 20 segundos é uma medida simples que evita diversos problemas. Caso o tecido encolha, o ideal é que se faça um pré-encolhimento no mesmo, calandrando ou prensando o tecido antes da sublimação.
Para finalizar, menos comum, porém muito importante, estão as pequenas manchas azuis que por vezes aparecem na sublimação. Na confecção do tecido, usam-se alvejantes ópticos para chegar ao branco. Por vezes, esse alvejante não é disperso corretamente, criando muitos problemas na sublimação. Assim como nos casos anteriores, recomenda-se o teste prévio. Para impressões com cores chapadas, esse fenômeno provavelmente não interferirá, porém em estampas com janelas ou partes brancas, as manchas ficarão muito nítidas. Nesse caso, a única solução será a substituição do tecido.

Agradecimentos: Havir
(www.havir.com.br)

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