Claudilei Simões de Sousa

Mara de Paula Giacomeli

Quando a solução cria o problema

Prezada leitora, prezado leitor Como cantavam os simpáticos e

saudosos Demônios da Garoa, “Oi nois aqui traveis…”. Sempre uma grande honra ocupar esta preciosa coluna no nosso querido Jornal O Serigráfico. No universo corporativo, muitas vezes o problema não nasce da falta de trabalho. Ele nasce exatamente quando alguém decide organizar demais aquilo que já funcionava.

Nossa história de hoje começa em uma unidade produtiva das empresas Muquifor, onde trabalhava Juventina Belfor Miga, conhecida entre os colegas como uma profissional exemplar. Belfor Miga chegava cedo, organizava sua mesa, revisava suas tarefas e começava a trabalhar antes mesmo que o café da máquina terminasse de esquentar.

Não havia drama. Não havia discursos motivacionais. Havia apenas trabalho bem feito. Sua produtividade era constante, seus resultados apareciam e, curiosamente, ela parecia feliz fazendo o que fazia.

Quem observava aquilo com curiosidade era Jubalino Leão, diretor da unidade. Certa manhã, olhando pela porta de vidro do escritório, ele comentou consigo mesmo: — Se ela produz tudo isso sozinha… imagine o quanto produziria se tivesse gestão adequada.

E assim começou a transformação.

A chegada da gestão

Para organizar melhor o trabalho de Belfor Miga, Jubalino contratou Theobaldo Barata, especialista em processos, controles e relatórios. Barata era extremamente competente em planilhas. Seu primeiro movimento foi simples: — Precisamos medir melhor o trabalho.

Criou, então, um sistema de controle de ponto detalhado, indicadores semanais e relatórios de produtividade. Logo percebeu que precisava de apoio. Contratou Romilda Aranha, responsável por organizar documentos, registrar informações e acompanhar os controles administrativos.

Agora havia relatórios. E como havia relatórios!

O crescimento da estrutura

Jubalino Leão ficou encantado.

— Excelente! — disse ele ao ver as primeiras apresentações. — Mas poderíamos ter gráficos… comparativos… projeções.

Para isso, foi contratado Abelardo Besouro, analista de dados, que trouxe computadores novos e softwares sofisticados. Agora havia gráficos. E muitos. Enquanto isso, Belfor Miga passava boa parte do dia explicando relatórios que antes simplesmente não existiam. A produção, que antes acontecia naturalmente, agora precisava caber em planilhas.

A estratégia entra em cena

Com o crescimento da estrutura, Jubalino concluiu que faltava liderança estratégica para o setor. Contratou, então, Clementina Cigarra, especialista em planejamento corporativo. Clementina chegou com energia. Comprou um tapete novo para sua sala, instalou uma cadeira ergonômica de alto padrão e anunciou a criação de um Plano Estratégico de Otimização Operacional.

Reuniões começaram a ocupar a agenda. Workshops surgiram. Painéis estratégicos foram desenhados.

Quando os números começaram a preocupar

Meses depois, ao analisar os resultados financeiros da unidade, Jubalino Leão percebeu algo curioso: a produtividade havia caído. Os custos haviam aumentado. E os resultados já não eram os mesmos de antes.

Preocupado, decidiu buscar ajuda especializada. Foi então que contratou Constantina Coruja, uma consultora renomada no mercado. Durante três meses, Coruja analisou relatórios, conversou com gestores e mergulhou nos processos da empresa. Ao final, apresentou um documento respeitável: um relatório de quinhentas páginas.

Na conclusão, uma frase simples: — Há gente demais nesta estrutura.

Jubalino Leão leu atentamente. Pensou por alguns minutos. E tomou sua decisão.

A solução encontrada

Na semana seguinte, Juventina foi chamada ao escritório. O motivo oficial da demissão foi direto: — Falta de motivação e baixa produtividade.

Ela saiu em silêncio. Enquanto isso, a empresa manteve intacta toda a estrutura criada para melhorar o trabalho dela.

Reflexões para você, leitor atento

  • Quantas organizações começam tentando melhorar o desempenho… e acabam criando estruturas que sufocam quem realmente produz?
  • Quantas vezes o problema não está na execução, mas no excesso de controle sobre quem executa?
  • Sua empresa está resolvendo problemas reais… ou criando complexidade para justificar cargos e relatórios?
  • E talvez a pergunta mais incômoda de todas: Quem realmente sustenta os resultados da organização… e quem apenas escreve relatórios sobre eles?

Nos vemos na próxima fábula.

 

 

Eduardo Levy Cotes, Consultor de Empresas Administrador Coaching

Especialista em Marketing Vendas Treinamentos Palestrante

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E-mail : atendimento@mgdmarketing.com.br

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