Claudilei Simões de Sousa

Mara de Paula Giacomeli

Quem Puxa o Rodo em 2026?

Sonhos, esperanças, alegrias, tristezas, trabalhos e mais trabalhos: assim foi o ano de 2025. Esperamos muito, realizamos o que foi possível e aprendemos — como aprendemos!

O mercado vem tentando, de alguma forma, minimizar o trabalho da serigrafia, acreditando que é possível substituir essa arte milenar com técnicas inovadoras, processos e mais processos. Sim, vai chegar a hora, ou melhor, já temos em alguns players tudo automatizado: braços robóticos puxando rodo, abastecimento de tinta em tempo recorde e vai por aí; mas, ainda assim, tem que puxar o rodo.

Na revelação de telas, deu-se um passo gigante; hoje já encontramos equipamentos que não precisam de fotolitos e de água, e a qualidade é ímpar. A cada dia, diminui-se a presença do ser humano ou facilita-se o trabalho do profissional. Quanto mais automatizado, menos erro e menos esforço físico. Isso é bom? Sim. Quanto menos esforço físico, mais produtividade e maior rendimento. Mas até onde podemos aproveitar esses avanços? Quantas empresas estão preparadas para a utilização desses equipamentos e quantas possuem capacidade financeira para esse tipo de investimento?

Poucas são as oficinas que possuem capacidade financeira e espaço para esse tipo de ação e investimento. Normalmente, as oficinas são em espaços pequenos, os chamados “fundos de quintal”; então, o jeito é sonhar e trabalhar, ter esperança de um dia poder investir pesado em equipamentos para facilitar a vida do profissional.

Assim somos nós, gente da serigrafia: mãos calejadas e sonhos na cabeça, esperança de crescimento, de união e de reconhecimento de um trabalho imprescindível para dar cor à moda, para dar vida aos projetos dos artistas e designers dos ateliês sofisticados, que criam os modelos que desfilam pelas ruas do mundo.

Vamos sonhando e puxando rodo, fazendo a vez dos robôs, substituindo a automação e colocando o nosso suor junto com as tintas, colorindo e dando o nosso melhor para que as coleções fiquem perfeitas dentro dos padrões estabelecidos. E assim sobrevivemos mais um ano, mais uns calos, já prontos para enfrentar o ano que começou exigindo e cobrando o que não foi feito.

Vamos para frente, nobres profissionais do rodo, da tela e do fotolito! Enquanto não pudermos ter um robô para fazer o nosso trabalho, somos nós que abrilhantaremos a moda com o nosso suor e nossos calos.

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