Vamos continuar o baile! É assim que os nossos parceiros costumam dizer quando querem dar sequência a um processo de trabalho. E a serigrafia, meus amigos, continua firme e forte, obrigado. Recentemente, participei de uma conversa sobre valores de impressão em serigrafia têxtil.
O papo logo tomou outro rumo: começaram a surgir questões sobre necessidades, competências, valor agregado, tipo de equipamentos das oficinas, qualidade das tintas… e por aí vai. Esse tipo de conversa acaba sendo até desgastante, porque já venho dizendo há tempos: esses profissionais precisam ser bem remunerados. Afinal, são eles que dão cor à moda. São eles que transformam em realidade o que está na cabeça dos estilistas e designers. São eles que pintam o sonho de consumo das tribos que pululam no mercado da moda.
Acontece que muitos desses profissionais são, ao mesmo tempo, os donos dos seus próprios negócios. Administram o faturamento, mas não entendem que, se estão puxando rodo, devem ser remunerados não como patrões, mas como trabalhadores. Como mão de obra especializada. Não dá pra simplesmente pegar o que entrou no caixa e colocar no bolso achando que isso é lucro. Não é.
É preciso saber se a empresa de fato faturou, se o valor do pró-labore foi incluído nos gastos, se houve pagamento pelo trabalho executado. Quando o profissional confunde faturamento com lucro e ignora os custos, principalmente o próprio, acaba vendendo barato sua expertise e todo o esforço que coloca no trabalho.
Administrar uma empresa não é só olhar para o que entra. É entender os custos. E, quando você está puxando o rodo, você é funcionário, não patrão. Portanto, existem dois valores que precisam ser considerados no preço de cada peça: o do empresário e o do trabalhador.
Está na hora de entender e valorizar esse trabalho que transforma a moda. Temos ótimas oficinas por aí, mas muitos donos estão perdendo dinheiro por não darem a devida atenção ao valor real do serviço que prestam.
Precisamos olhar com mais cuidado para os profissionais da serigrafia. Com um pouco de atenção de cada empresário do setor, dá sim para melhorar esse cenário. E, com isso, aumentar os ganhos, tornar o mercado mais atrativo e, principalmente, permitir que quem puxa o rodo possa sentir orgulho do que faz — com o bolso mais cheio e o reconhecimento merecido.
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